Tim Ripper Owens – Gillan’s Inn English Rock Bar – 30/09/17

Tim Ripper Owens segue cantando em alto nível e mostra como ser profissional em show ‘invisível’

Antes de falarmos sobre os shows em si, façamos um rápido jogo de perguntas e respostas: com Tim Ripper Owens de volta à São Paulo, você pensa em que? Show pautado nas músicas do Judas? É óbvio! Especialmente nas canções dos álbuns com ele no grupo inglês? Evidentemente! Inclusão de alguns dos clássicos de sempre? Claro! Mas ele não passou pela mesma casa em maio? Passou, fazer o que? Sorte de quem viu aquela apresentação e pôde testemunhar mais uma vinda do cantor à nossa cidade, novamente na zona norte, mais especificamente no Gillan’s Inn English Rock Bar (nome oficialmente assim comprido mesmo). O setlist? Exatamente o mesmo de sua última estada aqui, mantida a ordem, inclusive. Se bobear, a folha resgatada por este escriba ao término do concerto era o mesmo sulfite de outrora, intitulado “South America 2017”.

Voltas ao país em um curto espaço de tempo não são incomuns: o Iron Maiden passou por aqui duas vezes na mesma turnê, ambas em março, de 2008 e 2009, no antigo Estádio Palestra Itália e no Autódromo de Interlagos, respectivamente; o Guns N’ Roses em novembro último e semana passada, dez meses entre os espetáculos da mesma Not In This Lifetime… Tour de reunião, com dobradinha no Allianz Parque; o Anathema fez algo parecido em 2015, tocando no Clash Club em fevereiro e retornando em setembro, na Audio Club, se apresentando duas vezes na capital paulistana em apenas sete meses; no mesmo ano, o Ministry baixou o recorde anterior em um mês, porém tocando em cidades distintas: Audio Club, em São Paulo, em março e no Rock In Rio, em setembro; mas regressar às mesmas cidade e casa de shows (um pub, a bem da verdade), e em pouco menos de cinco meses, só Ripper Owens! E, para abrir os trabalhos, o Dominus Praelii encarregou-se de esquentar a platéia.

Oriunda de Londrina e composta pelo vocalista colombiano Jorge Bermudez, Sílvio Rocha e Erick Elenssar nas guitarras, Renê Warrior no baixo e Helmut Quacken na bateria, a banda executou um set coeso de oito músicas distribuídas ao longo de quarenta minutos de constante melhoria, chegando a contar com dois cantores na segunda metade da apresentação, uma vez que o membro fundador Ricardo Pigatto foi convidado a se juntar ao quinteto. Abrindo o show, Iuanchi – God & Demon, faixa a respeito da resistência dos mapuches contra os espanhóis durante o processo de colonização latino-americana e extraída de Keep The Resistance (2010), álbum que abrangeria metade do set. Ao anunciá-la, Sílvio Rocha aproveitou para explicar que o nome da banda significava “Senhor das Batalhas” em latim, mencionar os dezoito anos de história do conjunto e citar o fato de cada lançamento do Dominus Praelii fazer referência a um povo, um momento histórico. A faixa evidenciou influências à la Iron Maiden, escancaradas na camiseta de Book Of Souls vestida pelo vocalista, com o grupo já deixando claro que não viera ao palco para brincadeiras. Leftraro Is My Name a seguiu, mantendo a temática, agora um tributo sobre o guerreiro mapuche libertador de sua tribo indígena.

Get Out começou com Sílvio Rocha puxando um riff que vagamente lembrou Two Minutes To Midnight (Iron Maiden), mas logo evidenciou outra influência: o Grave Digger (a conta oficial do Dominus Praelii no Facebook lista ainda Running Wild, Manowar, Destruction e Coroner como referências). O guitarrista era pura energia, insanamente tocando a canção, em um contraste interessante com o outro músico das seis cordas, Erick Elenssar, mais introspectivo. O potente vocal de Jorge Bermudez também se destacava e, em rápida conversa conosco após a passagem de som, o cantor disse integrar outro grupo na Colômbia, o Boca Del Dragon, mais precisamente na cidade de Quindío. Ao ser questionado como fazia para dar conta de tudo, a resposta foi surpreendentemente simples: “Basta conciliar as duas agendas”. Como se fosse fácil ter uma banda em Londrina, outra na Colômbia e ainda encaixar as outras questões da vida pessoal, com Quindío mais próxima ao Panamá do que à fronteira brasileira! Figuraça… Após agradecimentos “a quem compareceu para prestigiar o metal brasileiro”, Sílvio Rocha trouxe “mais um grito mapuche contra a catequização” em Don’t Try To Change My Faith, um pouco mais lenta em seu começo, nem por isso menos efetiva.

Dominus Praelii

Para a seqüência da apresentação, Ricardo Pigatto, vocalista original do Dominus Praelii, foi convocado, mostrando o nível de camaradagem entre seus integrantes. Reunido à banda para participar da turnê, de cara o desafio era dividir as linhas vocais com Jorge Bermudez na rapidíssima e maior arregaço do set até então, Hard Deadly Wheels, do primeiro play, Holding The Flag Of War (2002). A partir daí o show se tornou ainda mais poderoso, com os dois guitarristas por vezes auxiliando os dois cantores com vocais de apoio, que, somados ao instrumental pesado, desenvolveram uma verdadeira parede sonora. Restou a curiosidade em saber como o baterista Helmut Quacken encontrou espaço para executar suas partes, praticamente colado à parede do pub, com seu kit montado em frente ao bandeirão da banda, pendurado como decoração, e que por lá permaneceria por toda a noite, incluindo o show do headliner. Então viria Waves Of War, outra com começo mais cadenciado, lembrando uma marcha, e com Ricardo Pigatto citando-a como “talvez o primeiro som composto pela banda em 98 ou 99”, parte da demo lançada em 2001, The First Battle, e última faixa de Holding The Flag Of War.

Após agradecimentos de Ricardo, o vocalista apresentou a seguinte, Cold Winds, outra incluída na demo e no primeiro álbum do Dominus Praelii, também com um quê de marcha, especialmente na bateria. Em um dado momento durante sua execução, Sílvio, Jorge, Erick e Renê foram agitar conjuntamente, mexendo-se concomitantemente para frente e para trás no acanhado palco, provocando um efeito visual interessante e caracterizando a unidade existente na banda. Perto do final do concerto, a platéia respondeu à dedicação dos músicos e aos gritos de “Hey, hey, hey, hey” de Ricardo com movimentos dos punhos cerrados e levantados. Então o vocalista anunciou a saideira e resumiu um pouco de sua história com a banda, dizendo ter nela entrado, como convidado, aos 17 anos e afirmando que não sonhava em viajar a América Latina inteira, garantindo que isso só foi possível graças ao poder de duas palavras: Heavy Metal! Então tocaram The Battle Of Stamford Bridge e a impressão passada foi que a selecionaram de improviso, após um curto colóquio entre os músicos. Com a limitação de tempo em um set curto, talvez a banda tivesse mais opções e foi forçada a fazer a escolha pela canção, em detrimento de outras. Prestigiada por alguns dos membros da banda de apoio de Ripper Owens na pista e marcada pelos insanos dois bumbos de Helmut, a faixa acabou sendo uma ótima escolha para fechar a apresentação de uma banda escolhida sob medida para a árdua missão de esquentar a noite para um público incompreensivelmente pequeno, feito concluído com galhardia e profissionalismo. Encerrando o show do Dominus Praelii, Sílvio agradeceu: “Valeu, São Paulo! Vamos continuar a festa aí! Agora com o Ripper Owens”.

À meia noite e cinco, após vinte minutos de intervalo, uma rápida introdução pôde ser ouvida no som ambiente, marcando a entrada de Ripper Owens, com as luzes apagadas, diferentemente do que se viu no show do Focus, no mesmo Gillan’s Inn (desta vez lotado), dois sábados antes, quando só foram se lembrar de apagar as luzes já na terceira música da noite (?!??!!). Auxiliando Ripper, sua banda era formada por músicos brasileiros, com destaque para os apelidos dos guitarristas: Kiko Shred e Vulcano, além de Will Costa, no baixo, e Lucas Tagliari Miranda (também conhecido como Lou Taliari), na bateria. Para quem tiver maior interesse em seus trabalhos, Lucas integra o Slippery; Kiko também passou pela banda e tem dois álbuns solo lançados (Riding The Storm e The Stride); Vulcano é membro do Hellish War; e Will é parte do Higher. Jugulator foi escolhida para abrir a festa e não se sabe como Ripper conseguia se movimentar, dividindo espaço com mais quatro pessoas, uma vez que o palco parecia ainda mais diminuto do que antes, com menos de um metro de altura, sem grade de separação com os fãs, que, a propósito, se comportaram de modo exemplar, pois em momento algum tentaram escalá-lo, em ambos os shows. Esticar a mão para cumprimentar um ícone como Ripper, colar a cara na frente dos músicos, berrar por suas favoritas, tudo isso faz parte da atmosfera, mas a atitude da platéia foi tão digna e respeitosa que a presença do segurança perto do palco mostrou-se desnecessária.

Após gritar “Deixe-me ouvi-los” por duas vezes, com a adição de um palavrão na terceira, Ripper afirmou que era “hora de ser um pouco mais brutal”, dando início a Blood Stained, emendando então as duas primeiras de Jugulator (1997), mesmo que um fã mais entusiasmado pedisse, a plenos pulmões, para tocarem Rapid Fire. A música deu mostras do quão bem Ripper segue cantando, alternando os tons altos dos primeiros versos das estrofes com os baixos do restante mesma canção. Ao terminá-la, elogiou a contagiante resposta das ‘testemunhas’ dizendo: “Vocês conseguem cantar. Vocês cantam alto. Obrigado. Tenho uma pergunta para vocês”. E então lançou três vezes: “Qual é o meu nome?”, para que a galera gritasse The Ripper, anunciando assim a mais antiga de todo o set, extraída de Sad Wings Of Destiny (1976), com todos agitando bem mais do que durante as duas anteriores e com o vocalista visivelmente feliz no palco.

Com boné de uma marca de energéticos e sem os óculos escuros do começo da apresentação, Ripper sentenciou: “É hora de vocês me alimentarem”, em alusão a Feed On Me, a primeira de Demolition (2001) no show, com meu marcante riff ‘ganchudo’ em sua parte do meio. Após certificar-se de que todos estavam bem, o vocalista disse que era “hora de algo um pouco mais pesado e rápido”, e reabrindo a caixa dos clássicos, Lou Taliari arregaçou no começo de Painkiller, provando que juventude e talento podem caminhar lado a lado (como toca esse ‘moleque’!). Os fãs reagiram à altura durante toda a canção, especialmente quando Ripper, mais próximo de sua parte final, mandava os “This is…” e todos continuavam com o “…the painkiller” ou “Pain… Pain…”, completados por “…killler …killer”. Impressionou a calma com a qual o vocalista fez a interpretação de um dos maiores hinos de um dos maiores expoentes do gênero, cantando e tomando seu copo de água, com a maior naturalidade, como se estivesse em casa fazendo a lista do mercado, ou como se dar aquele agudo perfurante em seu término fosse a tarefa mais fácil deste mundo.

Admitindo que precisava de uma cerveja, o cantor brindou a todos, estimulou o consumo do mais natural suco de cevada e lembrou que havia uma festa acontecendo. Então aquele mesmo fã de outrora pediu novamente por Rapid Fire. Ripper apenas reagiu: “O que? Sinto em desapontá-lo, mas não tocamos essa. Talvez da próxima vez, aí você pode soltar o seu Rapid Fire”, imitando o grito gutural usado para pedi-la, por parte do fã, que, aparentemente levou tudo na boa, não pedindo mais nada até o final da noite. Então o vocalista jogou de vez um balde de água fria no pobre coitado: “Nós vamos fazer algo completamente diferente de Rapid Fire” e começaram Lost And Found, que seria a mais próxima de uma balada no set, muito mais pesada do que na versão de estúdio. Após novos agradecimentos, Ripper afirmou: “Vamos ver como esta funciona. Ela foi indicada ao Grammy quando eu estava no Judas Priest” e assim descarrilaram Bullet Train, com seu incrível e potente grito inicial, ainda mais funcional e penetrante ao vivo, em um daqueles momentos em que você desacredita ver alguém fazer na sua frente aquilo que se acostumou a ouvir em casa, tamanha a força do gogó do vocalista. Extremamente contente e à vontade no palco, voltou a rasgar elogios à platéia: “Vocês melhoram a cada vez que venho aqui, mais barulhentos”, rasgando seda até para o Gillan’s Inn, classificando-o como “um grande local para fazer um show” e anunciou Grinder, do clássico British Steel (1980), coincidentemente gravada pela banda de abertura em Bastards And Killers (2006).

Então, notou-se que Ripper, vez ou outra, olhava para baixo na hora de cantar. Indo em direção à lateral do palco, viam-se os tradicionais setlists grudados no chão, como forma de orientação para a banda, mas também uma pasta aberta, ao pé do pedestal do cantor. Sim, eram as letras das músicas, armazenadas em sacos plásticos subsequentes, em uma versão roots dos polêmicos teleprompters usados por nomes do porte de Ozzy Osbourne e até mesmo de Rob Halford, como no Rock In Rio de 2001. Justa ou condenável, a colinha estava lá, não a ponto de afetar a performance do artista, funcionando mais como uma espécie de lembrete, assim garantindo a precisão da interpretação. Indiferentes à controvérsia, os fãs gritavam o nome do vocalista, que abriu os braços em humilde demonstração de gratidão, até que Vulcano puxasse o começo de Burn In Hell, de longe a melhor das vinte e três músicas gravadas pelo cantor nos dois álbuns durante seus anos no grupo de Birmingham. Em termos de empolgação, a faixa só perdeu para Painkiller (sendo tremenda covardia compará-las), mostrando nova aula do jovem baterista Lou Taliari, e teve novo dueto entre vocalista, que puxava “You’re going to…”, e público, que respondia com “…burn in hell”.

Incomodado com as sucessivas súplicas, Ripper educadamente pediu para que parassem de gritar os nomes das músicas. Um fã mais empolgado chegou a clamar por Abigail, clássico de King Diamond e também parte de um projeto montado pela gravadora Roadrunner que teve um álbum chamado The All-Star Sessions lançado, com cada uma de suas dezoito faixas sendo executadas por um dream team diferente de músicos. Abigail não está no CD, mas em um show referente ao projeto em 15 de dezembro de 2005, a composição foi tocada com Ripper nos vocais, James Murphy (ex-Death, ex-Testament e atual Disincarnate) e Jeff Waters (Annihilator) nas guitarras, o falecido Paul Gray (Slipknot) no baixo, Roy Mayorga (ex-Soulfly e atual Stone Sour) na bateria e Rob Caggiano (ex-guitarrista do Anthrax, atualmente no Volbeat) estranhamente nos teclados. Continuando as negativas e brincando, o cantor afirmou: “Vocês ficam gritando merdas! Perdi completamente o controle da platéia”, antes de dizer que a próxima era uma que definitivamente nunca fora tocada pelo Judas ao vivo: Dead Meat.

Então o momento mais engraçado da noite foi sendo elaborado após uma confissão de Ripper: “Eu não sei se me lembro como tocar esta canção, pois não a toco há muito tempo. Vamos tentá-la hoje”, e pegou a guitarra emprestada por Vulcano para, acompanhado pelo restante da banda, puxar a introdução característica de Highway To Hell, do AC/DC, abortada no quase instantâneo primeiro erro do mais recente mestre fritador. Não satisfeito, o também novo aspirante a comediante começou Back In Black, outra do AC/DC, parando imediatamente, ao se dar conta de que não sabia tocá-la. Foi aí que Lou Taliari resolveu salvar a noite, fazendo a levada de Living After Midnight, enquanto algo inusitado acontecia: após ceder seu instrumento para que Ripper pudesse dar sua canja, Vulcano não permaneceu junto aos músicos, e assim um fã mais atento se encaminhou à lateral esquerda do palco para averiguar onde estaria o guitarrista. Surpreso por não encontrá-lo, ao regressar para seu local de origem, o fã foi surpreendido e cumprimentado por Vulcano (em carne, osso e cabeleira loira), que tinha se deslocado à mesma lateral para assistir a um trecho do show de sua própria banda e ver se eles realmente mandavam bem, enquanto saboreava uma cerveja. Estarrecendo a todos, Ripper fez o solo da música (bem feito, diga-se de passagem) e sua versão do clássico soou mais pesada e rápida do que a do próprio Judas Priest, especialmente se comparada ao registro encontrado em British Steel (a título de curiosidade, há vídeos no YouTube com Breaking The Law e You’ve Got Another Thing Comin’ como parte da brincadeira da introdução, em substituição às canções do AC/DC). Em seu final, as confissões permaneceram: “E foi assim que eu me tornei um cantor! Não estou mentindo. Eu queria ser um guitarrista, a princípio … então me tornei vocalista”. Se perdemos um guitarrista mediano, ganhamos um frontman de primeira. Para a quebra da rotina, talvez a canção tenha sido escolhida em função de sua simplicidade nos riffs, andamento mais lento e letra até certo ponto repetitiva, mas o importante é que a brincadeira funcionou!

Death Row seria a próxima e última de Jugulator, trazendo nova pancadaria sonora ao show, e a apresentação seria fechada com Hell Bent For Leather, anunciada por Ripper como “um clássico do Judas Priest dos anos 80” quando ele “ainda estava na escola” (na verdade ela foi lançada em 1978, como parte de Killing Machine, à época dos onze anos do cantor). Durante sua execução, Vulcano foi saudar Lou Taliari, voltando para seu posto para a execução do solo, enquanto Kiko Shred e Will Costa permaneciam no lado esquerdo do palco, de onde não saíram durante todo o concerto. Com os protocolares agradecimentos e saudações, Ripper deu boa noite e todos deixaram o palco para retornarem quase prontamente e tocarem Electric Eye, estranhamente sem os quarenta segundos introdutórios de The Hellion, em uma combinação similar a arroz sem feijão ou cachorro quente sem salsicha. One On One concluiria, de fato, o show, perto de uma e vinte da manhã, totalizando nove músicas, entre as quinze totais, da dupla Jugulator/Demolition.

Faltou alguma? Para o fã mala que gritava, com certeza: Rapid Fire. Mas, na verdade, ninguém reclamaria se a curta apresentação de setenta e cinco minutos tivesse outros clássicos como Breaking The Law e/ou Metal Gods, tão boa ao vivo com Rob Halford quanto com Ripper Owens, conforme registrada na segunda faixa de ‘98 Live Meltdown (1998) e a primeira de Live In London (2003). A lamentar mesmo apenas a seqüência de atrasos que não necessariamente tinham a ver com as duas bandas. Após consulta telefônica feita no próprio sábado, a informação recolhida dava conta que a abertura da casa seria às 21. Porém, somente quarenta minutos após o horário estipulado é que os fãs foram autorizados a entrar, após terem de procurar abrigo da chuva, que insistia em castigar a cidade, durante a espera. A explicação dada por um segurança na porta era que não havia ninguém da empresa responsável pela venda dos ingressos para validar os bilhetes. Com isso, tudo foi se acumulando, e tanto Dominus Praelli quanto Ripper Owens começaram seus shows uma hora após o programado. Outro ponto lamentável foi a fraquíssima e quase invisível presença dos bangers paulistanos, não preenchendo sequer um quarto da casa. E não venham culpar a forte chuva que despencava desde a tarde, pois quando se quer realmente fazer algo, dá-se um jeito. Que outras razões seriam aceitáveis para o fiasco? Pouca divulgação? Pesquisem, corram atrás! Viram o show recentemente? Divulguem para os amigos e, se gostaram, voltem! Falta de grana? Esse sim é um motivo sério, mas a impressão que se tem é que as pessoas estão se tornando cada vez mais preguiçosas, preferindo ficar no conforto de seus lares vendo qualquer porcaria em suas televisões 4K, em vez de ir conferir um show, cara a cara com seus ídolos.

Por fim, endorsements de instrumentos à parte, você conhece algum músico patrocinado? Utilizar um boné referente a uma marca de energéticos durante o show é algo até corriqueiro e cada um veste o que achar que deve em suas apresentações. Mas deixa de ser uma simples coincidência, e começa a causar estranheza, a presença do mesmo logotipo na foto de capa no perfil do Facebook oficial do cantor, chegando até mesmo ao exagero de encontrar a marca e seu emblema impressos nos setlists utilizados pela banda e dispostos no chão do palco, como o retirado por este escriba após o show. Tudo bem que dinheiro é importante, mas aí se reforçam os argumentos dos que criticam o vocalista por viver do passado, cantando músicas compostas de quinze a vinte anos atrás, montando um show exclusivamente de covers, mesmo que Ripper Owens tenha efetivamente feito parte do Judas Priest de 1996 a 2003, tendo todo o direito de cantar suas músicas e ganhar seu suado din-din de forma honrada. Polêmicas à parte, foi um senhor show! Torçamos para que o vocalista ‘re-retorne’ ao país em breve, nem que seja dentro de cinco meses, no mesmo Gillan’s Inn, novamente com uma hora de atraso.

 

Dominus Praelii – Setlist

01) Iuanchi – God & Demon

02) Leftraro Is My Name

03) Get Out

04) Don’t Try To Change My Faith

05) Hard Deadly Wheels

06) Waves Of War

07) Cold Winds

08) Battle Of Stamford Bridge

 

Tim Ripper Owens – Setlist

01) Jugulator

02) Blood Stained

03) The Ripper

04) Feed On Me

05) Painkiller

06) Lost And Found

07) Bullet Train

08) Grinder

09) Burn In Hell

10) Dead Meat

11) Living After Midnight

12) Death Row

13) Hell Bent For Leather

Encore

14) Electric Eye

15) One On One

 

Agradecimentos:

Vagner Mastropaulo

Silvio Rocha

Fernanda Rocha

 


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