Sonata Arctica @ Aquarius Rock Bar (São Paulo) : O frio não incomodou ninguém!

 

(Rosa Moraes para MAXIMUS MUSIC CHANNEL)

 

“Are you ready to rock with Sonata Arctica..? In 5…4…3…2…”

Colada na grade, eu acompanhava os segundos finais de uma contagem regressiva que durou mais de dois anos e oitenta dias. Uma luz azul dançava pela platéia  e a introdução logo se transforma em “Closer To An Animal”, primeiro single do álbum “The Ninth Hour”, que a banda veio nos apresentar com essa turnê.

Apesar de nos dias anteriores ao evento eu ter ouvido muitos fãs reclamarem  da localização e do setlist, verdade é que o que se viu foi um bom público comparecendo no Aquarius Rock Bar naquela noite chuvosa e invernalmente fria de sexta, 19 de Maio. Alguns fãs chegaram inclusive na madrugada anterior (“É longe? Então sai mais cedo!”*risos*) para garantir um lugar pertinho do palco.

“The Wolves Die Young” , hit do álbum anterior “Pariah’s Child”, animou a galera e puxou “In Black And White”, faixa inaugural do polêmico “Unia” (2007), álbum que marcou o início de uma guinada mais progressiva e agressiva da Sonata Arctica, afastando-se do power metal redondinho que os consagrou.

Nesse ponto, o vocalista Tony Kakko dá uma desacelerada e manda um discurso fofo, propondo que as pessoas fizessem um novo amigo ali, naquela noite. Afinal, estávamos todos lá pelo mesmo motivo: manter viva a música ao vivo. E com este clima “o amor está no ar”, surge o clássico “Tallulah” , lançado em 2001 no álbum “Silence”.

De novo ao novo, chegamos em “Fairytale” e eu mais uma vez aproveito a oportunidade para ser bem sincera e reiterar minha decepção com essa letra. Apesar de ser uma faixa musicalmente bem trabalhada, precisaria de um trabalho lírico absurdamente excepcional para justificar uma banda finlandesa gravar um protesto político contra uma questão norteamericana. Não que eu concorde ou discorde do teor da mensagem, mas acho que a ânsia de abordar esta polêmica acabou fazendo Tony Kakko queimar um bom cartucho. Mas, o.K, talvez tenha valido a tentativa. Sabemos que a Sonata nunca se intimidou na hora de experimentar.

“Misplaced” do celebrado “Reckoning Night” (2004) deixou o público no ponto para um dos momentos mais esperados por todos: “Vocês querem cantar?” pergunta o vocalista antes de deixar para o público os primeiros versos de “Full Moon”, um dos primeiros sucessos da banda, eternizado no álbum “Ecliptica” (1999).

Mais uma troca de figurino para a romântica “Among The Shooting Stars”, cheia de neve, amor e lobos. Sonata até os ossos. Mais uma viagem no tempo, com o playback”No More Silence” precedendo “Abandoned, Pleased, Brainwashed, Exploited” ( Winterheart’s Guild, 2003).

“We Are What We Are”, na minha opinião pessoal, é não somente  uma das passagens mais lindas de “The Ninth Hour”, mas um dos mais belos trabalhos da Sonata Arctica ao longo da carreira.  Música e letra convergindo primorosamente para transmitir a melancólica  mensagem de conformismo com a destruição do planeta pela humanidade – tema que permeia todo o conceito artístico e se faz presente também no visual do palco.

“Life”: essa ode à amizade e aos bons momentos explodiu  no público traduzindo perfeitamente aquele discurso que o Tony Kakko fizera mais cedo. E todo mundo cantou com os amigos ao lado..!

O show entra então em seus momentos finais, cumprindo justamente a atual proposta da Sonata Arctica para suas turnês: priorizar músicas que funcionem melhor ao vivo. Em que pese a insatisfação relativa de alguns fãs com o setlist, acho que podemos combinar que foram escolhas acertadas em revisitar a discografia da banda enquanto introduz os novos trabalhos em uma dinâmica que manteve a platéia aquecida durante toda a hora e meia de espetáculo. A eclética “The Power Of One” ( Silence, 2001) , a vibrante “I Have A Right” ( Stones Grow Her Name , 2012 ) e a épica “Don’t Say A Word” ( Reckoning Night, 2004 ), esta última levando o público em uma onda de delírio pula-pula.

Mas seria o último ato antes do já tradicional encerramento com “Vodka”. Os músicos deixam o palco e ainda encaram um animado Meet & Greet ao ar livre (e gelado!) da noite em Itaquera. Um momento cujas lembranças vão aquecer o coração dos fãs para sempre.

E por falar em aquecimento, vale a pena registrar o “esquenta” incrível proporcionado pelas bandas de abertura TraumeR e Fix Over, ambas de São Paulo. Escolhidas entre muitas, através de uma promoção lançada pela Dynamo Brazilie – responsável pela turnê latinoamericana da Sonata Arctica – as bandas tiveram uma chance e tanto de apresentar seu trabalho, e o público ganhou uma baita oportunidade de conhecer um som com potencial pra muitos headlines.

Inaugurando a noite, entrou o TraumeR “engolindo” a cena com sua presença de palco massiva e um power metal melódico enxuto, onde é impossível não notar uma fortíssima influência de Stratovarius. Até porque o vocalista Guilherme Hirose é a mais perfeita versão tupiniquim do Timo Kotipelto ( pronto, falei! *risos*). A banda inclusive teve seu segundo álbum “Avalon” masterizado no famoso estúdio Finnvox, em Helsinki, pelo lendário Mika Jussila. Ao vivo e na linha de frente, eles também não deixam nada a desejar: botaram até quem nunca tinha ouvido TraumeR pra cantar junto, e o resultado  deixou todo mundo satisfeito de ambos os lados do palco.

Pessoalmente, eu deveria declarar suspeição ao falar da Fix Over, da qual já era admiradora desde meados do ano passado. Mesmo assim, o que rolou no Aquarius superou bastante minhas expectativas, e foi um barato ver a reação da galera aos vocais impressionantes do baixista Kevin Tricanico. A banda, composta também pelo guitarrista  Weslley Joanes e  contando com Iuri Barboni na batera, trouxe ao palco quatro das cinco músicas de seu EP “Desire”, cuja proposta conceitual se identifica  bastante com a “Ninth Hour” da Sonata Arctica.  Outra curiosidade a respeito desse show é que a banda já havia incluído “Cochise” – cover da Audioslave – em seu setlist pra este show, muito antes da repentina e imprevisível morte do vocalista Chris Cornell, que suicidou-se um dia antes. O momento acabou virando uma homenagem que emocionou e empolgou a platéia. E ao julgar pela receptividade ao final de “Stop This Evil”, faixa de trabalho com a qual a Fix Over encerrou sua apresentação, a multiplicação dos fãs não parece nenhum milagre inoperável para esses meninos.

 

(27.05.2017 – 00:05 )


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *