Metal – “Safra 2016 & 2017: Renovação, esperança… PESO!!!”

A vida é cíclica, o planeta não para de girar e a grande constante do universo é o movimento (diria Heráclito de Éfeso).

Pensando nisso, e observando o cenário do metal mundial, acredito que o momento seja de renovação. Os grandes lançamentos de 2016 e 2017 não me deixam acreditar na tão falada “morte do metal”…

Começando por 2016, gostaria de falar sobre dois grandes nomes que integram o Big Four do metal no planeta: Megadeth e Metallica.

O Megadeth, que não lançava um “grande disco” há tempos, nos presenteou com o maravilhoso Dystopia. Um álbum cheio de riffs maravilhosos, aliados a uma ousadia musical que deu um novo ar à banda e trouxe a mesma “de volta” para a superfície.

Dave é indiscutivelmente um gênio do metal e, a despeito de todas as polêmicas e das opiniões dos ditos “trues”, lançou um álbum poderoso e rico em seus arranjos e letras. A escolha do brasileiro Kiko Loureiro (Angra), com sua pegada e bagagem musical, fez muita diferença. Além disso, o Chris Adler (Lamb of God) trouxe uma agressividade para os arranjos de bateria que só abrilhantaram mais o disco. Não por acaso, a banda foi premiada no início de 2017 com um GRAMMY de melhor performance de metal pelo disco Dystopia! Esse premio, ou ¼ dele, pertence ao Brasil…

Já o Metallica, depois de alguns álbuns muito questionados pelos fãs, trouxe de volta um pouco da pegada clássica com o “Hardwired… to Self-Destruct”. Não é um álbum “revolucionário” para o mundo do metal, mas é um álbum rico e com toda força da experiência e criatividade do Metallica. Trujillo com baixos bem trabalhados e bem gravados, Lars tocando agressivo como nunca, James com seu vocal que parece não sofrer tanto com o passar do tempo e Kirk ousando alguns climas mais “coloridos”. Um álbum excelente, talvez o mais completo da banda.

Só esses dois álbuns, lançados no mesmo ano, já são motivo suficiente pra comemorar. Mas, não satisfeito (graças ao “Deus Metal”), 2016 continuou nos presenteando com álbuns incríveis como o Magma (Gojira), Division Of Blood (Suicidal Angel), Jomsviking (Amon Amarth), The Brotherhood of Snake (Testament), legacy (Myrath), etc.

O metal está morto? “It’s not what I see…”

Em 2016, no cenário nacional, a “safra” também foi muito boa, mas gostaria de destacar o álbum E.V.O, do Almah.

Edu Falaschi é um ícone do metal nacional e, ao lado de Pedro Tinello, Marcelo Barbosa, Raphael Dafras e Diogo Mafra, todos músicos excelentes, conseguiu lançar um disco maduro, diversificado e ousado. Sua voz está lá, suas belíssimas canções com letras profundas estão lá, a mistura entre clássico e moderno também está lá. O disco foi muito bem aceito entre os fãs mais antigos e os mais novos, sendo eleito o melhor álbum de 2016, segundo os leitores da Roadie Crew.

Outros álbuns que também demonstram certa oxigenação no cenário nacional são o Second (Terra Prima), Carpe Ludus (One Arm Away), Evocati (Evocati), Download Hatred (Claustrofobia), Once and for All (Perc3ption), etc. Todos com excelente produção e grandes composições, esbanjando maturidade sem perder o peso do som.

Até aqui, só falei de ALGUNS lançamentos do ano passado, mas 2016 se foi…

E, sem que pudéssemos parar pra respirar, 2017 chegou com o Healed By Metal (Grave Digger), Immortals (Firewind), Gods Of Violence (Kreator)...  A lista é enorme e ainda estamos em Fevereiro!

No Brasil, o Sepultura começou o ano de 2017 lançando o disco “Machine Messiah”, que tem chacoalhado as opiniões dos headbangers. Um álbum em muitos aspectos diferente de tudo que a banda já fez, trazendo um conceito que critica a “robotização” da sociedade em meio às novas tecnologias. Derrick ousando vocais limpos com competência, Andreas com riffs sempre matadores, Paulo engrossando o caldo e Eloy Casagrande, que não mede esforços com seus arranjos complexos e precisos. Um destaque no disco são as orquestrações, com belos arranjos muito bem encaixados.

Alguns já o tem como um disco que “nasceu clássico”, outros dizem que é o melhor da “fase Derrick”, uns tantos torcem o nariz… A verdade é que Machine Messiah talvez seja o disco mais completo (musicalmente) da banda.

Muito mais bandas poderiam entrar nesse texto e, apesar do pessimismo de uns e da “truezice” de outros, a verdade é que vivemos um momento criativo e produtivo para o metal no cenário mundial, o que não implica dizer que os problemas que prejudicam a cena desapareceram. A polarização, o preconceito, a falta de profissionalismo de muitos produtores e o desinteresse das mídias mainstream… Todos ainda nos atingem, mas essa oxigenação nos faz continuar acreditando no poder do metal!

E você… Ainda acha que ‘o Metal está morto’?

 

Texto: Deniere Martins (Compositor, Guitarrista da banda de Heavy Metal ‘Camus’ (PE) e Nerd em tempo integral.)


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