Max e Iggor Cavalera de volta às raízes

16 de dezembro é realmente uma data interessante para a história do metal brasileiro. Em 1996, o Sepultura fez sua última apresentação com sua formação clássica, no famoso Brixton Academy em Londres. Vinte anos depois, Max e Iggor traziam seu show ao Tropical Butantã.

Com mais este projeto, a Honorsounds trouxe os irmãos para tocar em São Paulo. Mas eles também tocaram no Rio de Janeiro, dia 14, e Belo Horizonte, no dia seguinte. Após os três shows em território nacional, a banda seguiu para mais quatro países latinos.

 

A proposta de tocar o álbum Roots  na íntegra trouxe muita expectativa e curiosidade sobre o que poderia acontecer com essa comemoração porque só os que cresceram junto com os “meninos” da Sepultura sabem o quão difícil e traumática foi sua separação.

Duas bandas foram escaladas para apoiar esse projeto tão relevante.

Capadócia: banda de São Paulo que foi gentilmente apresentada pelo filho do vocalista e guitarrista Baffo Neto.

A banda deu seu apoio total à causa num elo de amizade e também representou muito bem a cena atual do metal paulista. Foi uma apresentação rápida, porém deu pra mostrar o melhor da banda.

Incite: banda americana com Richie Cavalera, filho de Max, como vocalista. O garoto promete, faz juz ao sobrenome que carrega e faz um barulho de dar orgulho.

Richie é um frontman perfeito. Além de ser talentoso, domina o palco, esbanja simpatia e interage com a plateia o tempo todo. Em uma dessas interações com o publico, ele desabafou dizendo:

“Há 20 anos aconteceu o fim do Sepultura. Hoje é o renascimento de Max e Iggor Cavalera. É a vida. Estamos comemorando isso.”

Mostrou o dedo do meio dizendo ser para quem era contra as raízes, enquanto sua mãe, Gloria Cavalera, transmitia os shows pelo Facebook e a platéia dava suporte mostrando seus dedos.

Com a casa cheia, a expectativa era ainda maior. Pouco além das 22:30, entraram os irmãos Cavalera, para sanar qualquer dúvida de que o espetáculo seria divino.

A galera começou a pular loucamente ao som de Roots Bloody Roots. A euforia tomou conta do Tropical Butantã e a alegria de poder presenciar essa data foi inigualável.

O show seguiu como se esperava, na ordem do álbum Roots, com o uso de instrumentos da cultura brasileira, como berimbau e tambor. Assim Max mostrou um pouco como foram as experiências da banda com os indígenas para construir e trazer elementos novos para o metal nacional e construir essa obra.

Também trouxeram os músicos americanos que estão seguindo com a turnê, Marc Rizzo (guitarra) e Tony Campos (baixo).

Max apresentou a banda normalmente, mas quando foi apresentar o irmão fez uma referência ao time de coração dizendo: “na bateria, Iggor Cavalera palmeirense”, este já vestido com a camiseta do clube e começaram a fazer um dueto de percussão com tambor e bateria.

A alegria em ver o apoio de fãs de uma vida toda, colegas e, claro, da família era de emocionar e eles se empolgaram tocando covers, se libertando de uma dor que durava 20 anos.

Ao final, Vânia Cavalera juntou-se aos filhos para afirmar que as raízes de sangue eram muito fortes e podiam fazer milagres.

Curiosidades: Na parte de trás da pista havia um stand de merchandising ,onde Richie Cavalera estava atendendo quem quisesse adquirir CDs, camisetas ou tirar fotos com sua banda.

Também havia um cartaz informando que um “Meet and Greet” com os irmãos Cavalera custaria R$250.00.

Jasco, faixa instrumental de Roots, gravada por Andreas, não foi tocada, assim como Symptom of the Universe (Black Sabbath cover), bonus track da edição nacional do CD.

Setlist

  1. Roots Bloody Roots
  2. Attitude
  3. Cut-Thoat
  4. Ratamatta
  5. Breed Apart
  6. Straighthate
  7. Spit
  8. Lookaway
  9. Dusted
  10. Born Stubborn
  11. Itsári (ao fundo, com Iggor na bateria)
  12. Ambush
  13. Endangered Species
  14. Dictatorshit
  15. Procreation of the Wicked (Celtic Frost cover)
  16. Polícia (Titãs cover)
  17. Orgasmatron (Motörhead cover)
  18. Ace Of Spades (Motörhead cover)
  19. Roots Blood Roots (de novo e mais curta, Fast Roots, como no set list da banda)

Por Renata Penteado


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