“The Last Tour”: Sabaton volta ao Brasil com ainda mais poder de fogo!

Com sua temática que desperta paixões além da música, a banda sueca Sabaton chega à América Latina munida de seu power metal monumental para apresentar o novo trabalho “The Last Stand”.  Lançado em agosto de 2016 pela Nuclear Blast, o álbum consolida o estilo grandioso de suas composições reunindo metal e  História na medida exata de sua ousada proposta: consagrar grandes feitos marciais da humanidade através de canções que  ilustram esses momentos com sua musicalidade gloriosa e uma maciça presença de palco .

E show do SABATON é assim: Tropas  de fãs em prontidão, atentos aos “generais” Joakim Brodén  (voz) Chris Rörland (guitarra) Tommy Johansson (guitarra), Hannes Van Dhal (bateria) e Pär Sundström (baixo). Sob seu comando, somos  um grupo de samurais que avança sobre o exército do Imperador. Soldados desembarcando na Normandia. E no momento mais aguardado da noite, seremos Expedicionários em Monte Castello.

O Brasil recepciona o pelotão das calças camufladas em seis cidades entre outubro e novembro de 2016.  Começaram por Belo Horizonte, e já passaram por São Paulo, Rio de Janeiro e Limeira, sob a caprichosa organização da Liberation, produtora responsável por outros dos melhores shows do ano. Agora, a banda segue para shows em Porto Alegre e Curitiba com a produtora Abstratti.

O setlist veio recheado principalmente de faixas dos últimos dois álbuns. Clássicos como “Swedish Pagans” (2008), “Carolus Rex” (2012), “Ghost Division” (2008) foram intercalados com as músicas “Shiroyama”, “Sparta”, “Blood of Bannockburn”, “Winged Hussards” e “The Lost Batallion”, do álbum-tema da turnê (2016). Também rolou “The Lion From The North” (2012) e não faltou o hino “Primo Victoria” (2005) para enlouquecer os fãs.

Outro grande destaque do show foi a apresentação do guitarrista Tommy Johansson,  anunciado em agosto como novo guitarrista ao posto anteriormente ocupado por Thobbe Englund.  Com um porte físico que faz jus ao seu talento, o simpático Tommy conquistou o público, unindo uma técnica impecável ao grande carisma performático já tão típico do Sabaton. Ele também assume os backing vocals e vem somar com Joakim no trabaho em estúdio com os teclados.

Do álbum “Heroes” (2014) tivemos “Night Witches”, “To Hell And Back”, “Resist And Bite”, “Far From The Fame” e a a faixa “Smoking Snakes”, que homenageia os soldados da Força Expedicionária Brasileira, através da emocionante história de três dos nossos heróis que tombaram em Monte Castello.

É muito interessante marcar o quanto “Smoking Snakes”   repercutiu entre os militares brasileiros. Só no Youtube há pelo menos uns cinco vídeos com versões dessa música sendo interpretada por bandas do exército. O Sabaton conseguiu um mérito bem diferenciado ao conquistar fãs até entre quem não escuta heavy metal. A lembrança das Cobras Fumantes, com direito a trecho em português, desperta inclusive um sentimento de gratidão e orgulho entre o público brasileiro, ao nos apresentar nossos próprios heróis de uma forma que a maior parte dessa nova geração ainda não havia enxergado.

Imagine que o mesmo fenômeno tenha acontecido em outros países cujas proezas foram exaltadas nas letras do Sabaton. Reavivar as memórias de um povo não é algo que se faça inconseqüentemente: e com certeza isso tem refletido no fenômeno emplacado  pela banda, inicialmente na Europa, e agora definitivamente conquistando a América.

Até o público é um dos mais entusiasmados.Toda vez que vejo o Sabaton tocar ao vivo, tenho cada vez mais certeza que eles têm os fãs mais apaixonados do gênero. É um dos shows onde mais tem gente “à caráter”: estampa camuflada, inspiração militar, bandeiras históricas e referências à Suécia e suas cores nacionais.  O público tem as letras na ponta da língua. Uma “vibe” que dá gosto de ver.

Mas sou suspeita para dizer , já que me incluo entre esses fãs meio alucinados. Não tenho a mínima vergonha de ir pro show de coturno , “banguear” até cair o pescoço e cantar alto até arrebentar a garganta. Acho inclusive ,que deve ser bem essa a magia buscada por qualquer um que esteja indo assistir ao show de sua banda favorita: esse era bem meu caso.

Conheci a banda no início de 2012 através de um amigo finlandês em cujo gosto musical eu confio bastante.Em 2013, e ainda sem muita esperança de vê-los em muito breve por Terra Brasilis, vi o Sabaton tocar em Helsinki, abrindo para o Iron Maiden, e ainda sem a empolgante cenografia que se tornou a marca registrada da banda, com fogos de artifício e uma impressionante carenagem de tanque para a bateria.  Senti um pouco de invejinha da finlandesada doida, curtindo “Talvisota” e “White Death”, músicas que falam sobre a lendária Guerra de Inverno e seu herói finlandês.

Mas a vida tem muitas surpresas. Logo no primeiro semestre do ano seguinte, a banda anunciou não apenas as datas da primeira passagem pelo Brasil. O show em São Paulo,  foi marcado para sete de setembro, feriado nacional da Independência. A banda de abertura ainda era a Armahda, nossa própria releitura power metal da História nacional. Nesta noite memorável, pela primeira vez “Smoking Snakes” foi tocada ao vivo.

E agora. o Sabaton voltou ao Brasil para esta segunda ofensiva, com resultados claramente positivos. Tudo nesta turnê demonstra o quanto que o Sabaton cresceu desde que esteve aqui pela primeira vez em 2014: mais correria, mais compromissos, mais público. Tudo refletindo o sucesso cada vez maior de uma banda focada em sua missão, chegando a passar quase 300 dias por ano em turnê. Toda a dedicação vale a pena, e os fãs agradecem.

Texto: Rosa Moraes


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