ALMAH – E.V.O – Resenha / Faixa a Faixa

O Almah, que já é bem conhecido por misturar o peso do metal com levadas e intenções mais pop’s e modernas, acaba de lançar um álbum conceitual, cheio de ousadia e com letras profundas e provocativas.

O conceito de E.V.O faz alusão à astrologia por meio da “Era de Aquário”, um período no qual a humanidade estaria mais evoluída socialmente, espiritualmente, onde a razão seria o grande filtro para a garantia da igualdade e fraternidade entre os homens.

Todo o clima do álbum gira em torno dessa ideia de uma Nova Era, trazendo um clima sonoro ascendente e positivo.

A faixa de abertura, “Age of Aquarius”, nos transporta para um ambiente de natureza, abrilhantado pelo som de cordas numa “valsa” quase espiritual. A interpretação de Edu aqui já nos mostra que realmente há a intenção de falar algo mais. A calmaria inicial logo dá espaço a um Power acelerado, que remete aos grandes clássicos do estilo. Aqui o Edu explora notas mais agudas e mostra que está em forma. Além disso, Pedro Tinello cumpre as expectativas como novo baterista e não deixa a peteca cair.

“Speranza” começa com uma harmonia colorida e uma pegada mais atual. O refrão é grudento, típico das composições do Edu. E isso é bom! Com um solo cheio de feeling, essa faixa vem com toda força pra integrar a lista de lindas baladas do Edu. A letra faz jus ao título trazendo uma mensagem num clima esperançoso de transformação.

“The Brotherhood”, outra balada das melhores, traz um clima moderno, com refrão arrepiante (como os refrãos do Journey)! Após o solo, cheio de feeling, temos um momento de clímax com força pra arrepiar a alma mais tenebrosa do planeta. A letra foi escrita em homenagem ao Tito Falaschi, seu irmão, e fala sobre batalhas e vitórias, trazendo uma mensagem de perseverança, aprendizado e fraternidade.

“Innocence” nos traz o clima dos álbuns anteriores, algo bem mais moderno.  As guitarras são destruidoras e mostram toda competência de Marcelo Barbosa e Diogo Mafra. Já a letra, com um clima meio filosófico, nos convida a refletir sobre o “sentido da vida”.

“Higher” não nos deixa perder o pique da faixa anterior e mantém o peso. Com um refrão de notas altas, mostra novamente que Edu está “de volta”. Os solos seguem técnicos sob uma base power constante, que se encerra com um clima de percussão típica do Brasil e devolve as rédeas a Edu, que encerra a música com a voz “nas alturas”. (Todo esse trecho remete um pouco ao Angra nos álbuns Rebirth e Hunters and Prey. Ponto positivo!)

“Infatuated” começa com um clima bem pop, e logo vemos que é mais uma balada digna de execução no horário nobre da extinta MTV. A letra fala sobre viver a vida espontaneamente, sem fundamentalismos ou ideias engessadas. É mais uma que nos passa algo esperançoso. Apesar do clima de balada, ela não deixa o peso de lado e tem um solo com um brilho à parte, cheio de feeling.

“Pleased to Meet You” começa com um arranjo muito técnico, onde a bateria se mostra muito presente. Essa porrada técnica logo dá vez a um Riff cadenciado, que quase nos obriga a mexer o corpo, com a marcação precisa da bateria alternando o groove com as cordas. O refrão é mais um que mostra o retorno do Edu, além de nos trazer um clima instrumental bem mais progressivo. A ponte para o solo evidencia essa intensão prog.

“Final Warning” quebra um pouco o clima ‘power/prog’ e traz um ambiente sonoro moderno, mais pro Hard, no qual Edu explora drives de maneira sublime. Mais uma com refrão lindamente chiclete. O solo é cheio de feeling, apesar de não evitar as frases velozes típicas. A letra trata de como o “sistema” nos ilude e confunde, nos chama a fazer “as perguntas certas” e a resetar o “jogo da vida”.

“Indigo” talvez seja uma faixa difícil de absorver pelos mais puristas. Ela é bem mais moderna que as outras, e abusa das teclas, mas mantém alguns riffs bem pesados. O trecho dos solos traz de novo uma pegada explicitamente progressiva, ao estilo Dream Theater.

“Corporate War” deixa claro o clima atual dessa segunda metade do álbum. Com um pouco da pegada do industrial, talvez meio Grunge ou algo assim, é mais uma que pode fazer os “trues” olharem torto. A faixa é bem pesada, na realidade, e traz mais um refrão grudento com Edu cantando notas muito altas.

“Capital Punishiment” é a faixa mais curta do álbum e sua letra traz uma crítica social forte, com uma cama instrumental moderna e dançante (doa a quem doer, ela faz a gente se mexer). Os riffs são pesados e graves, e a música mantém o flerte com o progressivo, o que fica evidente após o solo. Um fade out, com solo de guitarra ao fundo, nos leva ao fim dessa viagem chamada E.V.O.

Sem dúvida alguma E.V.O é um dos melhores lançamentos de 2016, e talvez o melhor da carreira do Almah. Isso nos mostra que o metal jamais morrerá enquanto seus amantes continuarem na estrada!

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Almah é:

Edu Falaschi – vocal
Marcelo Barbosa – guitarras
Diogo Mafra – guitarras
Raphael Dafras – baixo)
Pedro Tinello – bateria

 

Deniere Martins


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